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A MATRIZ DE RECURSOS E PROCESSOS

Anos atrás, quando fazia o curso de Análise de Sistemas da IBM (EA-10), tive contato com uma ferramenta desenvolvida para facilitar na análise de projetos, denominada Matriz de Recursos e Processos.

Tenho utilizado - e aperfeiçoado - a citada ferramenta ao longo do tempo, acrescentando-lhe alguns processos que são típicos a todos os recursos utilizados por uma organização.

A MATRIZ DE RECURSOS E PROCESSOS E A TEORIA GERAL DOS SISTEMAS

A Teoria Geral dos Sistemas (TGS) é uma abordagem de desenvolvimento de sistemas gerais (ver artigos específicos sobre o tema: TGS - Kenneth Boulding e Teoria Geral dos Sistemas). Uma de suas aplicações práticas é a modelagem de organizações como sistemas-objeto que irão servir como "mapas" para o desenvolvimento de sistemas de informações.

Assim, a Matriz de Recursos e Processos serve perfeitamente para essa finalidade.

As organizações são sitemas abertos, realizando trocas permanentes com seu meio-ambiente. A incapacidade de realizar adequadamente essas trocas pode determinar disturbios que em última instância podem levar ao desaparecimento das mesmas.

Como qualquer outro sistema, a organização "retira" recursos do meio-ambiente (humanos, financeiros, materiais, tecnológicos) os tranforma, através de seus processos e finalmente os "devolve" ao meio-ambiente.

UTILIZAÇÃO PRÁTICA DA MATRIZ DE RECURSOS E PROCESSOS

Embora cada organização utilize uma combinação única de recursos, os processos pelos quais os mesmos passam são semelhantes. Seu mapeamento através da Matriz de Recursos e Processos torna-se um instrumento interessante de análise, porque através dela podemos:

  1. levantar o elenco de recursos utilizados pela organização;
  2. entender quais processos estão sendo desempenhados com relação a cada recurso em particular;
  3. como estão articulados os diversos processos ao longo da administração de cada recurso;
  4. como estão articulados os processos entre os diversos recursos.

EXEMPLO DE UTILIZAÇÃO DA MATRIZ DE RECURSOS E PROCESSOS

Na tabela abaixo temos alguns recursos típicos de algumas organizações. Na etapa de diagnóstico inicial, o analista precisa preencher nas linhas os recursos que possam ser considerados relevantes para aquela organização em particular.

Muitas vezes recursos semelhantes têm processos diferentes, como por exemplo: uma empresa industrial pode tratar a compra de matérias-primas de modo diferente como trata a compra de materias de escritório; uma entidade de ensino pode tratar os processos referentes ao seu corpo docente diferentemente do modo como trata o pessoal administrativo etc.

Assim, é de fundamental importância o entendimento de quais recursos são mais importantes para sua inclusão na matriz.

RECURSO PROCESSOS
PLANEJA-
MENTO
OBTENÇÃO ALOCAÇÃO DESENVOL-
VIMENTO
MANUTEN-
ÇÃO
"PERDA" REGISTROS CONTROLE
HUMANO Efetivo
Folha
Plano de Carreira
Sistema de Avaliação
Cadastro de candidatos
Recrutamento
Seleção
Admissão
Definição de unidade
de destino
Treniamento
Promoção
Aumento de
salário
Remanejamento
Reintegração
Reciclagem
Aposentadoria
Morte
Demissão
Pedido de demissão
Dados Funcionais
Folha de Pagamento
Definição de padrões, Avaliação e Correção do desempenho
FINANCEIRO Receitas
Despesas
Orçamento
Fluxo de caixa
Recursos próprios
Financiamento
Vendas
Realização de despesas ou investimentos
Controle de gastos
Aplicações financeiras
Correção monetária
Pagamentos
Perdas decorrentes da inflação
Desvios
Contabilidade
Relatórios gerenciais
Definição de padrões, Avaliação e Correção do desempenho
MATÉRIA PRIMA Volumes de compras
Níveis de estoques
Especificações de qualidade
Cadastro de fornecedores
Cotações
Compras
Acompanhamento das compras
Recepção
Inspeção
Definição dos usuários
Pesquisa e desenvolvimento
Novos fornecedores
Controle de qualidade
Armazenagem e manuseio
Uso e consumo na fabricação
Obsolescência
Quebras
Registros de inventário
Índices de consumo
Definição de padrões, Avaliação e Correção do desempenho
MATERIAIS EM PROCESSO Programação de produção
Período do ciclo produtivo
Recebimento do Almoxarifado
Designação das unidades produtivas
Pesquisa e desenvolvimento
Novos processos
Controle de processo
Armazenagem e manuseio
Consumo na fabricação
Entrega para comercialização
Perdas e quebras
Registros de Inventário
Índices de consumo
Produção Total
Definição de padrões, Avaliação e Correção do desempenho
PRODUTOS ACABADOS Projeções de Vendas
Níveis de estoques
Planos de distribuição
Recebimento da Produção
Definição dos mercados
Pesquisa e desenvolvimento: modelos, design, embalagem
Controle de qualidade
Armazenagem e manuseio
Venda
Obsolescência
Quebras
Registros de inventário
Vendas por tipo de cliente e por área geográfica
Definição de padrões, Avaliação e Correção do desempenho
CLIENTE Perfil dos clientes
Localização dos clientes
Projeções de Vendas
Novos clientes
Recuperação de clientes
Segmentação de mercado
Novos usos para produtos atuais
Aumento do consumo
Fidelização
Mudança de perfil econômico
Mudança de classe de consumo
Morte, falência
Histórico de consumo
Histórico de reclamações
Definição de padrões, Avaliação e Correção do desempenho

Em uma empresa comercial, naturalmente não existem os processos referentes às matérias-primas e aos produtos em processo. Existem apenas as Mercadorias, que têm um tratamento similar a uma conjunção entre os três processos referentes a recursos materiais listados na tabela.

Deve-se levar em consideração também que o cliente é um tipo especial de recurso que a organização detém, sendo - em conseqüência - submetido aos mesmos processos dos demais recursos.