me 10/3/2010             


home
HOME

Marketing
Dicionário de Marketing
Composto Mercadológico no Varejo
Classes Econômicas em Pesquisa
Precificação
Elasticidade
Marketing de Serviços
Organização de Marketing
Plano de Marketing
Análise SWOT

Economia
Moeda e Bancos
Utilidade em Teoria Econômica e Administração
Notas Sobre Teoria Econômica
O Sistema Econômico

Organização
Matriz de Recursos e Processos
Modelo de Plano de Negócios
As Funções Administrativas
Teoria Geral dos Sistemas
Origem das Organizações
TGS-Kenneth Boulding
Algo de Novo sob o Sol?

História
Carta do Descobrimento

Bate Papo
Deixe uma Mensagem

Utilitários
Guia 0800
Cálculo de CGC/CPF
Nomenclatura de letras

Docência
Material de Aulas

PESSOAL

Usuário
Senha

A ORIGEM DAS ORGANIZAÇÕES

INTRODUÇÃO


A organização é parte de um fenômeno mais geral da natureza, em que se observa a evolução de um processo onde formas mais simples e uniformizadas, evoluem para formas mais complexas - através de estruturas mais sofisticadas - e diferenciadas.

a) A astronomia, quanto mais consegue saber fenômenos celestiais distantes, mais tem condições de observar o que aconteceu no passado.

De fato, a capacidade de observar fenômenos cada vez mais distantes, coloca o homem em uma máquina do tempo - quanto mais distante, mais remoto foi aquele acontecimento, e por conseguinte pode nos permitir como que rastrear a evolução do universo.

É como imagens que se superpõem, porque um fenômeno que nós observamos a cem milhões de anos-luz e um outro que observamos a duzentos milhões de anos-luz na verdade ACONTECERAM há respectivamente 100 milhões de anos e 200 milhões de anos e nós os vemos simultaneamente.

Essa especulação de galáxias remotas permite concluir que provavelmente a partir de uma grande explosão inicial (Big Bang) espalha-se pelo espaço uma quantidade de energia ainda fora do nosso alcance de perceber.

b) Essa energia começa a se diversificar através da organização de pequenas parcelas desse todo em estruturas próprias, sincronizando seus movimentos (os ÁTOMOS).

Esses átomos, por sua vez, se organizam em colônias com outros átomos da mesma forma ou de formas diferentes, formando as MOLÉCULAS, que são estruturas mais complexas, compondo os elementos da natureza.

Esses elementos, por sua vez, à medida em que acumulam energia, são capazes de se organizar de forma cada vez mais sofisticada, tendo-se em um extremo o estado gasoso, onde há uma menor estruturação nas relações entre as moléculas, e no outro extremo, o estado sólido, onde há uma rígida estruturação nas relações entre elas.

Esses elementos básicos, se combinam, reagem, amalgamam com outros, formando estruturas mais e mais complexas e diversificadas, correspondentes a todos os materiais disponíveis na natureza.

Essa evolução se dá a nível de um único elemento, como no caso do que ocorre na estruturação do carbono até chegar ao diamante.

c) Por outro lado ela também se dá principalmente através da DIVERSIDADE de elementos que pode permitir uma mudança qualitativa em suas relações, que é o surgimento da VIDA, que corresponde a um estágio em que a matéria passa a ter uma característica de auto-regulação tal que controla seu mecanismo de reprodução, tentando se preservar e paradoxalmente - para se perpetuar se diversifica cada vez mais, assumindo estruturas cada vez mais evoluídas: compreende os vegetais, animais, víirus, fungos.

d) Cada ser vivo é um composto de células, que vai dos animais unicelulares - onde não há a questão da articulação entre as células - até os mais complexos organismos, como é o ser humano.

À medida em que evoluem, os seres vivos vão se compondo de grupamentos de células com FUNÇÕES e ESTRUTURAS (formas) diferenciadas (os órgãos) que se articulam com outros grupamentos de células com funções e estruturas complementares. (Quem já parou para pensar que o sangue é um meio de transporte, carregando materiais e insumos energéticos entre unidades produtivas diferenciadas de um todo, que é o organismo?).

e) Os vegetais construíram uma macroestratégia de sobrevivência no processo evolutivo, através da fixação de seres com o seu meio anterior - o mineral - extraindo sua subsistência diretamente dele.

Embora estejam fixos em um ponto do solo, os vegetais desenvolveram estratégias de sobrevivência através da convivência entre espécies, formando ecossistemas variados, que garantem a subsistência mútua. Para manutenção dessa diversidade, os vegetais, embora fixos no solo, conseguem garantir a sua sobrevivência como espécie, desenvolvendo esquemas de mobilidade física, através dos processos de propagação de suas sementes.

O fixo se torna móvel.

f) O animais se sobrepõem aos vegetais, garantindo a sua preservação na natureza através desses - direta (hervíboros) ou indiretamente (carnívoros).

Assim, os animais garantem sua subsistência diretamente do mundo mineral (ar e água) e do vegetal (alimentação), seja diretamente através da ingestão de vegetais, seja indiretamente, através da ingestão de outros animais.

Para desfrutar do que está fixo (os vegetais), os animais desenvolvem então a mobilidade que os permite sair em busca de sua subsistência.

Os animais estabelecem então, relações com o mundo mineral, o mundo vegetal o próprio mundo animal.

Nas relações entre os elementos do mundo animal, verificam-se ainda relações com elementos da mesma espécie e elementos de espécies distintas.

O ser humano, tem baseado todo o seu desenvolvimento histórico desde os primórdios da humanidade até os dias atuais, através de organizações, voltadas para a sobrevivência das pessoas e a preservação da espécie. A partir do momento em que é concebido e durante toda a sua vida, o homem está inserido em organizações.

Organizações são criações artificiais do homem, voltadas para a realização de alguma tarefa que esteja acima da capacidade de realização individual. Neste sentido a organização é sempre a manifestação da realização humana através da ação cooperada.

Uma organização pode também ser descrita como uma entidade capaz de captar recursos (humanos, materiais, tecnológicos) do ambiente que a cerca, combiná-los em proporções e de modo tal que é obtido um produto - o qual em natureza é qualitativamente diferente dos recursos que o geraram - e esse produto tem a finalidade de ser reabsorvido pelo meio-ambiente. A medida da efetividade de uma organização é, em conseqüência, a disposição do meio-ambiente de recompensá-la pelo seu resultado de tal forma, que lhe permita manter seus fatores.

Diz-se que uma organização está em equilíbrio quando ela consegue manter um fluxo estável de recursos -> processos -> produtos (equilíbrio dinâmico).

A organização, como parte de um contexto social, tem um papel maior, no conjunto de toda a sociedade, em escala mundial: atender uma necessidade específica provocada por esse mesmo contexto social. É um processo de divisão social do trabalho onde a grupamentos específicos de pessoas, atribui-se funções específicas. No caso das sociedades socialistas, há uma tentativa de tê-las todas planificadas, enquanto que nas sociedades capitalistas há graus variados de controle de certas funções sociais (religião, segurança, infra-estrutura e serviços básicos, regulações das funções e papéis sociais e funções produtivas estratégicas).

Dentre as características essenciais das organizações humanas, destacam-se:

a) Um propósito ou finalidade. O propósito da organização não precisa coincidir com os propósitos de seus membros. O propósito de uma organização não é a organização em si mesmo, mas algo ligado ao ambiente que a cerca. Quando o ambiente externo não reconhece mais o propósito de uma organização esta perde a sua condição de sobrevivência.

b) Uma coletividade de pessoas. Sendo a organização um fruto do esforço cooperado, entende-se que para seu propósito ser alcançado há a necessidade de colaboração de pelo menos duas pessoas.

c) Compreendendo uma diversidade de papéis. Uma organização começa a se diferenciar de uma massa informe de pessoas no memento em que as pessoas passam a desempenhar funções diferenciadas, as quais devem se complementar na busca do atingimento dos propósitos organizacionais.

d) Integrada através de processos de decisão e comunicação. As decisões são atos capazes de alterar o curso das ações da organização. A diversidade de atores envolvidos, requer a emergência de processos de comunicação capazes de direcionar o esforço de todos na direção dos propósitos da organização.

e) Continuamente, até o cumprimento de seu propósito. Uma organização se estrutura para o cumprimento de um propósito e a sua duração deve corresponder ao tempo necessário ao alcance de seu propósito.

Organizações com o propósito de satisfazer uma necessidade que tenha uma duração limitada, podem ter uma vida até muito curta, é a sua capacidade de sobreviver ao longo do tempo, sobrepujando em muito a capacidade de sobrevivência de seus membros.

Isso se dá através do desenvolvimento de mecanismos de preservação e adaptação, permitindo, à organização viver permanentemente pendulando entre:

i) de um lado suas regras de comportamento (legado histórico) e recursos (legado material) os quais são necessários à sua preservação, mas que tendem a enrijecê-la e

ii) de outro lado sua capacidade de reagir às demandas ambientais através da alteração de suas regras, funcionamento e incorporação, substituição, alteração e eliminação de partes que são necessários para sobreviver em um meio-ambiente em mutação permanente. Esta capacidade é tolhida pela descrita anteriormente.

Nas organizações onde a preservação inibe completamente a adaptação, dá-se um processo de estagnação e rapidamente essas são superadas pelo seu meio-ambiente, tendendo a desaparecer (obsolescência).

Onde há um equilíbrio entre preservação e adaptação e se ele for capaz de responder prontamente às demandas ambientais, observa-se um processo de desenvolvimento (evolutivo).

Quando o mecanismo de adaptação rompe com o mecanismo de preservação, observa-se uma mudança através da descontinuidade (revolucionária).

A mudança na organização pode se dar a qualquer nível e em quaisquer de suas instâncias. Mudanças nas tecnologias e nos procedimentos têm uma abrangência diferenciada em relação às modificações de pessoal. As modificação de normas, valores e comportamentos embora menos palpáveis, são mais profundas.

Visando ainda garantir sua sobrevivência através do tempo, a organização ainda enfrenta um outro tipo de desafio, que é a necessidade de dedicação de parte de seu esforço para repor a capacidade de seu funcionamento. A esse esforço de reposição, denomina-se manutenção.

A organização busca sua eficácia através:

a) Do conhecimento técnico acumulado sobre o tipo de objeto com o qual ela atua. Esse conhecimento acumulado pode ser entendido no seu sentido mais amplo, compreendendo máquinas, equipamentos e ferramentas bem como os processos e fluxos adotados.

b) Dos recursos disponíveis. Os recursos não determinam a finalidade da organização mas, por serem finitos ou limitados, são capazes de estabelecer patamares em termos de capacidade de obtenção de resultados pelas organizações.

c) Da organização de seus recursos. Este elemento é crítico em relação aos demais, tendo em vista que através do arranjo organizacional é que se pode potencializar ou pulverizar as capacidades oferecidas pelo conhecimento técnico e recursos disponíveis.

É através da organização dos recursos que se tem então a real capacidade da sobrevivência imediata e a longo prazo da organização.

A organização mais antiga do homem, com certeza é a organização familiar. A organização da família em uma sociedade, corresponde à sua fórmula de arranjo social encontrada que possa assegurar o desenvolvimento da espécie, garantindo pelo menos:

a) que os membros jovens terão o cuidado necessário de outras pessoas até se tornarem aptos para sobreviver, e

b) evitar relações de consangüinidade, que possam ameaçar o legado genético.

A história da humanidade, mostra que a família é a organização mais bem sucedida de todos os tempos, precisamente porque soube se transformar em cada momento crítico da humanidade, para continuar exercendo a sua função de preservação da espécie.

Nunca é demais pensarmos que cada um de nós, independentemente de nossa origem, somos membros de uma mesma e bem sucedida família, que funciona ininterruptamente desde a primeira (e bem sucedida) forma de vida.

Assim, a família poligâmica, dos primórdios da humanidade, está longe de ser um bando de pessoas se entrecruzando indiscriminadamente, tendo, pelo contrário, regras de casamento provavelmente mais rígidas que nas sociedades modernas (não é por maldade, que nas sociedades primitivas, o adultério é punido com a morte. Do mesmo modo, o rapto de mulheres de outras comunidades tinha a função de enriquecer o caldeirão genético do própria comunidade).

A reprodução da espécie precisa ser assegurada pela presença de meios de subsistência das pessoas. Nos primórdios da humanidade, o homem era fundamentalmente um coletor dos frutos da natureza. Quando o alimento escasseava em um sítio, toda a coletividades necessitava se deslocar para áreas mais favoráveis. Essa necessidade era contraposta por outra, de se manterem mais ou menos fixos em um lugar, tendo em vista as restrições à mobilidade decorrentes dos cuidados com as crianças e idosos.

A coleta e a caça eram soluções que não se adequavam ao segundo tipo de necessidade, dando lugar, com o tempo à agricultura e ao pastoreio essas sim, representando uma possibilidade real de fixação do homem à terra de modo mais permanente.

Muito provável, a mulher, que permanecia em um determinado sítio, começou a dominar os ciclos de reprodução da natureza.

A mulher é dotada de ciclos, assim como são outros animais e vegetais, as estações do ano, a lua. Provavelmente a mulher esteja mais sintonizada com o restante da natureza. O homem estudava os céus; a mulher interagia com a terra.

A domesticação dos animais (com especial destaque para o cão, que nunca foi uma fonte de alimento humano, mas combatendo os outros animais e funcionando como guarda, permitiu a expansão da fronteira agrícola do homem), não somente complementavam sua dieta, como forneciam trabalho físico.

O homem do passado foi um verdadeiro cientista: experimentou todas as variedades do reino vegetal, descobrindo suas propriedades e aproveitando-o como fonte de alimentos, medicamentos, vestimentas e abrigo. Do mesmo modo domesticou praticamente todas as espécies de animais que se encontram domesticadas atualmente.

No processo de caçar e coletar, a organização da vida social humana na produção de sua subsistência não requeria uma rígida e diferenciada atribuição de papéis a serem desempenhados (ao contrário do que já se verificava ao nível da reprodução, com a organização da família).

Quando se deu a fixação do homem no solo, essa forma de organização em bandos já não correspondia às novas necessidades criadas: começa um processo gradual de complexificação da divisão social do trabalho, com uma rígida e permanente definição de papéis a nível de indivíduos e grupos sociais.

Adam Smith escreveu:

"O maior aprimoramento das forças produtivas do trabalho, e a maior parte da habilidade, destreza e bom senso com os quais o trabalho é em toda parte dirigido ou executado, parecem ter sido resultados da divisão do trabalho".

"Essa divisão do trabalho, da qual derivam tantas vantagens, não é, em sua origem, o efeito de uma sabedoria humana qualquer, que preveria e visaria esta riqueza geral à qual dá origem. Ela é conseqüência necessária, embora muito lenta e gradual, de uma certa tendência ou propensão existente na natureza humana que não tem em vista essa utilidade extensa, ou seja: a propensão e intercambiar, permutar ou trocar uma coisa pela outra."

"Não é nossa tarefa investigar aqui se essa propensão é simplesmente um dos princípios originais da natureza humana, sobre o qual nada mais restaria a dizer, ou se - como parece mais provável - é uma conseqüência necessária das faculdades de raciocinar e falar. De qualquer maneira, essa propensão encontra-se em todos os homens, não se encontrando em nenhuma outra raça de animais, que não parecem conhecer nem essa nem outra espécie de contratos. Por vezes, tem-se a impressão de que dois galgos, ao irem ao encalço de uma lebre, parecem agir de comum acordo. Cada um a faz voltar-se para seu companheiro, ou procura interceptá-la quando seu companheiro a faz voltar-se para ele. Mas isso não é efeito de algum contrato, senão da concorrência casual de seus desejos acerca do mesmo objeto naquele momento específico. Ninguém jamais viu um cachorro fazer uma troca justa e deliberada de um osso por outro, com um segundo cachorro".

"Assim como é essa propensão que gera essa diferença de talentos, tão notável entre pessoas de profissões diferentes, da mesma forma, é essa mesma propensão que faz com que a diferença seja útil. Muitos grupos de animais, todos reconhecidamente da mesma espécie, trazem de nascença uma diferença de 'índole' muito maior do que aquela que se verifica entre as pessoas, anteriormente à aquisição de hábitos e à educação. Por natureza a diferença entre um filósofo e um carregador de rua, no tocante ao caráter básico e à disposição, não representa sequer 50% da diferença que existe entre um mastim e um galgo, ou entre um galgo e um spaniel, ou entre este último e um cão pastor. Entretanto, esses tipos de animais, embora sendo da mesma espécie, dificilmente têm qualquer utilidade uns em relação aos outros. A força de um mastim não se beneficia em nada da velocidade ou rapidez do galgo ou da sagacidade do spaniel ou da docilidade do cão pastor".

Naturalmente que quanto mais especializado o trabalho de cada indivíduo, mais ele vai depender das relações de troca para satisfazer todas as suas necessidades.

A fixação do homem à terra, que se deu a partir da agricultura, permitiu a formação de acampamentos mais permanentes, que deram origem às aldeias e estas, dependendo de sua localização, às cidades.

A aldeia é um espaço intrinsecamente ligado ao campo, permitindo uma diversificação maior do trabalho, dando espaço ao surgimento de artesão, fabricante de ferramentas e implementos agrícolas, bem como de bens de consumo tais como roupas, calçados, móveis e pães. É também a aldeia o centro comercial da área agrícola circunvizinha por ela polarizada, aí se realizando as trocas (a feira), verificando-se uma proximidade muito grande entre produtor e consumidor. A própria atividade comercial é realizada fundamentalmente pelo próprio produtor (rural ou urbano).

A cidade provavelmente deriva da aldeia que teve o privilégio de se localizar em áreas privilegiadas em termos de comunicações com comunidades distantes (às margens de grandes rios navegáveis, em costas - especialmente no mediterrâneo - ou em entroncamentos de grandes rotas terrestres, como em muitas cidades do Oriente Médio).

O objetivo deste trabalho está ligado ao estudo das organizações de natureza produtiva. Assim serão estudados aspectos caraterísticos desses tipos de organizações.

É o que veremos em futuros capítulos...